Finanças

Como precificar certo: o erro que faz empresa crescer faturamento e perder margem

Crescer faturamento vendendo no preço errado é o jeito mais comum de uma empresa saudável quebrar sem perceber.

Existe um padrão que se repete em muita empresa que está "crescendo": o faturamento sobe todo ano, mas a margem sobe menos — ou até cai. Na maioria das vezes, a raiz do problema é a forma como o preço foi definido lá no início e nunca mais foi revisada de verdade.

Preço definido por "olhômetro" ou por concorrência

Dois jeitos comuns (e arriscados) de precificar: olhar o que o concorrente cobra e ficar perto disso, ou definir um preço no começo do negócio e só reajustar por inflação, sem nunca recalcular a estrutura de custo por trás.

O problema dos dois métodos é o mesmo: nenhum considera se aquele preço ainda cobre seu custo real, sua despesa fixa proporcional e a margem que você precisa pra sustentar crescimento.

O que o preço precisa cobrir, de verdade

Todo preço de venda saudável precisa contemplar: o custo direto do produto ou serviço, uma parcela proporcional da sua despesa fixa (aluguel, equipe administrativa, sistemas), a carga tributária (que, como vimos no artigo sobre a reforma tributária, está mudando), e uma margem de lucro real — não o que sobra depois que tudo já foi descontado.

Quando você calcula preço "de trás pra frente" (partindo do que o mercado paga) sem checar se isso cobre a estrutura real, a empresa pode estar, sem saber, vendendo alguns produtos abaixo do ponto de equilíbrio.

O efeito no crescimento

Isso fica mais grave quando a empresa cresce. Se o preço já estava apertado com o volume pequeno, crescer volume sem corrigir o preço só multiplica o problema — você vende mais e, proporcionalmente, ganha menos, porque está escalando uma margem que já era fina ou negativa.

Como corrigir isso

  1. Recalcule seu custo real por produto/serviço, incluindo rateio de despesa fixa proporcional.
  2. Compare esse número com seu preço de venda atual — item por item, não na média.
  3. Para os itens abaixo do ponto de equilíbrio, decida: reajustar preço, renegociar custo, ou descontinuar.
  4. Repita esse exercício pelo menos a cada seis meses — custo e estrutura mudam, preço precisa acompanhar.

O ponto central

Vender mais não resolve preço errado — só acelera o problema. Antes de buscar mais clientes, vale confirmar que cada venda está, de fato, deixando dinheiro na empresa.

Reestruturar precificação com base no custo real é um dos pilares do Método LINCE.

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