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Por que contratar "um pouco de cada" não resolve

Contratar "alguém que dê conta de tudo" é um dos erros de gestão de pessoas mais comuns em pequenas e médias empresas — e um dos mais caros.

É comum, em empresa que ainda está se estruturando, contratar pessoas pra função híbrida: alguém que "cuida de um pouco de financeiro, um pouco de RH, um pouco de compras". Parece eficiente no papel — uma pessoa, vários chapéus, menos custo de folha. Na prática, é um dos erros de gestão de pessoas mais caros que existem.

O problema de diluir responsabilidade

Quando uma função é híbrida demais, ninguém é de fato responsável por nenhuma parte dela com profundidade. A pessoa "que cuida de financeiro e também de RH" normalmente não tem tempo (nem, muitas vezes, o conhecimento técnico) pra fazer nenhuma das duas coisas no nível que a empresa precisa conforme cresce. O resultado é mediocridade em ambas, não eficiência em nenhuma.

O custo escondido

O custo aparente de contratar um "faz tudo" é menor do que contratar dois especialistas. Mas o custo real aparece depois: erro de compliance porque ninguém dominava a parte fiscal, decisão de contratação errada porque ninguém tinha profundidade em gestão de pessoas, indicador financeiro incorreto porque quem cuidava disso também estava apagando outros incêndios ao mesmo tempo.

Quando isso faz sentido (e quando não faz mais)

Função híbrida faz sentido numa fase muito inicial do negócio, quando o volume de cada área ainda é pequeno demais pra justificar uma posição dedicada. O erro é não perceber o momento em que a empresa já cresceu o suficiente pra que essa hibridez pare de ser eficiência e vire risco.

Como saber que chegou a hora de mudar

Se erros recorrentes estão acontecendo numa área específica (financeiro, gente, operação) e a resposta sempre é "a pessoa está sobrecarregada", isso não é problema de esforço — é sinal de que a estrutura de pessoas não acompanhou o tamanho da empresa.

O que fazer diferente

Mapeie, por área, o que hoje está sendo feito "por cima" só porque ninguém tem tempo de fazer direito. Priorize dedicar posição especializada primeiro nas áreas onde o erro custa mais caro — geralmente financeiro e compliance. Se contratar uma posição nova ainda não é viável, considerar trazer especialista temporário ou terceirizado pra aquela função específica costuma custar menos do que continuar sofrendo o erro recorrente.

O ponto central

Estrutura de pessoas certa não é sobre ter mais gente — é sobre ter a responsabilidade certa, com profundidade certa, na área certa. Diluir função pra economizar folha é, na maioria das vezes, um jeito caro de parecer barato.

Reorganizar estrutura de pessoas de forma sob medida é parte do trabalho de consultoria que faço dentro da operação do cliente.

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